A maioria leiga não é
ciente do risco envolvido ao liberar peixes não-nativos, devido justamente à falta de
conhecimento sobre o assunto, restrito praticamente ao meio
científico/acadêmico.
Pescador esportivo liberando
tucunaré adulto na represa de São Simão, rio Paranaíba - MG.
LEGISLAÇÃO:
BRASIL: A legislação sobre exóticos no
Brasil só proíbe a importação de espécies exóticas quando o organismo a ser
introduzido provocará grandes prejuízos.
MINAS GERAIS: A
legislação sobre a pesca possui alguns equívocos como o quadro de tamanhos
mínimos de peixes de acordo com o decreto 38.744/97, artigo 12, inciso VI,
letra A, que na verdade privilegia também PEIXES INTRODUZIDOS:
Nome Vulgar
Nome Científico
Tamanho Mínimo (cm)/Status
Cascudo acari
Rhinelepis aspera
30/NATIVO
Corvina
Pachyurus francisci
30/NATIVO
Curimatá-piôa
Prochilodus costatus
30/NATIVO
Dourado
Salminus brasiliensis
60/NATIVO
Jaú
Zungaro jahu
90/NATIVO
Matrinchã
Brycon
orthotaenia
25/NATIVO
Pacu
Piaractus mesopotamicus
30/INTRODUZIDO
Pescada-do-Piauí
Plagioscion squamosissimus
30/INTRODUZIDO
OUTROS
ESTADOS: Legislação especial proibindo cultivo do bagre-africano (Clarias gariepinus) no Estado do Rio Grande do Sul (Lei administrativa
18 de dezembro de 1993 - FEPAM Fundação Estadual de Proteção Ambiental).
OUTROS
PAÍSES:
- Importação da truta-arco-íris
(Oncorhynchus mykiss) é
restrita na Suíça, através da Nova Legislação Federal de Aqüicultura.
- A
importação da perca-sol (Lepomis gibbosus) foi banida na Suíça desde
1994.
COMO OCORREM AS INTRODUÇÕES:
* Piscicultura
(comercial e ornamental) é o principal mecanismo de dispersão.
* Acidentais:
- Escapes junto com a
água efluente de tanques de criação;
- Rompimento ou
transbordamentos devido a catástrofes naturais (enchentes, furações,
tufões);
- Durante o manejo dos
tanques, tanques-rede e nos pesque-pagues;
- Liberação da água de
lastro de navios (introduções marinhas).
Tanques de piscicultura
comercial margeando o braço de uma represa
Tanque de piscicultura
ornamental com efluente sendo liberado diretamente em córrego
adjacente
Pesque e pague
Tanque-rede com espécies
exóticas em um trecho do rio São Francisco
*Deliberadas:
estocagem diretamente em reservatórios ou cursos d'água realizada por:
- Órgãos federais –
Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS).
Introduziu o tucunaré Cichla ocellaris Bloch & Schneider, 1801 em
açudes do nordeste a partir da década de 40;
- Setor hidrelétrico – Companhia Energética do Estado de São Paulo (CESP).
Introduziu a pescada-do-Piauí Plagioscion squamosissimus (Heckel,
1840) em seus reservatórios;
- Motivos:
- Melhorar os
estoques silvestres;
- Desenvolver a pesca esportiva e o turismo;
- Preencher “nichos vazios em reservatórios “;
- Controle de vetores de doenças (malária).
- Aquariofilia: dó em
sacrificar os peixes ornamentais;
- Solturas de iscas vivas após a jornada
de pesca esportiva.
Peixe utilizado como isca
viva para peixes de maior porte
CONSEQÜÊNCIAS DAS INTRODUÇÕES
DE PEIXES:
- Extinção de espécies
nativas;
- Mudança na estrutura
original da comunidade nativa (peixes, plâncton, invertebrados e pequenos
vertebrados);
- Competição (alimento,
abrigo, sítios de desova e criação);
- Introdução de parasitas
e doenças;
Parasita: Lernaea cyprinacea (Copepoda) (esquerda).
Peixe: Pacu-caranha - Piaractus mesopotamicus infestado na região
ventral.
- Hibridização
(degradação genética);
- Impacto sócio-econômico
negativo (substituição de uma espécie nativa mais aceita pela exótica menos
aceita).
DIRETRIZES/RECOMENDAÇÕES PARA
SE EVITAR NOVAS INTRODUÇÕES:
- Ampliar pesquisas na
área;
- Realizar programas de
monitoramento das espécies introduzidas;
- Estimular o cultivo de espécies nativas nas
pisciculturas;
- Reformulação da
Legislação Brasileira e do Estado de Minas Gerais;
- Rigor na fiscalização
em estradas, portos e aeroportos na importação e transporte de peixes;
- Manutenção de bancos
gênicos de espécies nativas;
Desova induzida em espécie
nativa, com utilização de hormônios.
- Educação ambiental:
-Evitar a soltura
de peixes ornamentais (especialmente espécies vivíparas como Guppy, Plati,
Espada e Molinésia,
pois apenas uma fêmea grávida pode disseminar a espécie);
Plati Xiphophorus maculatus
(Günther, 1866)
Espada Xiphophorus hellerii Heckel, 1848
-Educação
ambiental com crianças em escolas, pescadores, piscicultores, donos de
lojas do tipo "Pet Shop", polícia florestal e demais autoridades mostrando
o perigo de espécies exóticas; - Tornar
mais acessível o tema conservação para o público leigo;
- Mostrar para a mídia escrita e falada, principalmente aquela ligada à
pesca esportiva, que o ideal é NÃO praticar o "pegue e solte" com
espécies exóticas.